Marabá lidera exportações do Pará: a nova Capital do Cobre
Puxada pela alta do cobre, a cidade desbancou Parauapebas no topo da balança comercial do estado e já arrecada mais de R$ 27 milhões de Cfem em um único mês.
Marabá entrou para a história econômica do Pará. Pela primeira vez, o município assumiu a liderança das exportações estaduais em um único mês, superando a hegemonia histórica de Parauapebas e o recente protagonismo de Canaã dos Carajás. O salto, registrado em maio de 2026, é resultado direto do avanço da produção de cobre na região e consolida Marabá como a “Capital do Cobre” do Brasil.
Por décadas, a balança comercial do Pará foi liderada por Parauapebas, sede da maior mina de ferro do mundo. A diversificação da base mineral do Sudeste paraense, no entanto, mudou esse cenário. Com o crescimento acelerado da demanda mundial por cobre — metal essencial à transição energética, a carros elétricos e à eletrônica — Marabá ganhou peso inédito nas vendas externas do estado.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações paraenses de minério de cobre e concentrados avançaram cerca de 80% nos primeiros meses do ano, alcançando US$ 2,7 bilhões — mais de um quarto de todas as vendas externas do Pará.
O motor desse desempenho é o Complexo de Salobo, em Marabá, cujas reservas são estimadas em mais de 1 bilhão de toneladas de cobre. A Vale concluiu recentemente a primeira fase de expansão do complexo, um investimento avaliado em cerca de US$ 1,1 bilhão. Com a nova planta operando em conjunto com as linhas já existentes, a capacidade de processamento saltou de 24 milhões para mais de 32 milhões de toneladas anuais, com meta de chegar a 36 milhões na capacidade plena.
O reflexo aparece também na arrecadação. A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) repassada a Marabá superou R$ 27 milhões em um único mês — valor acima do que Parauapebas e Canaã dos Carajás receberam no mesmo período. No ranking nacional de produção mineral, Marabá consolidou a segunda posição, atrás apenas de Parauapebas.
A liderança nas exportações traz mais do que prestígio: significa aumento de receita pública e maior poder de investimento para o município. Com a Cfem em alta, a prefeitura passa a contar com recursos adicionais que podem ser direcionados a saúde, educação, infraestrutura e serviços urbanos, em uma cidade que cresce no ritmo da mineração.
Ao mesmo tempo, o novo patamar acende o debate sobre dependência econômica e fiscalização. Na Câmara Municipal, a CPI do Salobo — citada como referência pelo Tribunal de Contas da União (TCU) — passou a cobrar fiscalização mais rigorosa sobre a operação, num sinal de que o crescimento da arrecadação vem acompanhado de maior vigilância sobre os repasses e os impactos da atividade.
A expectativa é que a liderança de Marabá se consolide com a operação plena da expansão de Salobo, o que tende a elevar ainda mais a arrecadação de Cfem e a manter a cidade no topo do ranking de exportadores do Norte. O movimento se insere no contexto do programa Novo Carajás, da Vale, que prevê R$ 70 bilhões em investimentos na região até 2030 e deve ampliar tanto a produção de ferro quanto a de cobre no Sudeste do Pará.
A ascensão de Marabá ao topo das exportações marca uma virada na geografia econômica do Pará e reforça o peso do Sudeste paraense na pauta exportadora do Brasil. Para a população, o desafio agora é transformar o protagonismo do cobre em desenvolvimento concreto, com mais serviços, infraestrutura e transparência no uso dos recursos gerados pela mineração.
(Texto original produzido pelo Portal Sudeste Paraense a partir de apuração própria e cruzamento de fontes.)