Crise de energia em Parauapebas: audiência pública cobra investimentos e Equatorial anuncia seis obras para 2026
Concessionária reconheceu falhas no atendimento e apresentou pacote de obras estruturantes; vereadores afirmam que melhorias “não atingem nem 10% da população” e pressionam por investimentos maiores.
A qualidade do fornecimento de energia elétrica em Parauapebas voltou ao centro do debate público na noite de quarta-feira, 17 de junho de 2026, durante audiência pública realizada na Câmara Municipal. Moradores, empresários e representantes de instituições relataram apagões frequentes, oscilações de tensão e prejuízos com equipamentos queimados, enquanto a concessionária Equatorial Pará reconheceu falhas e anunciou um pacote de seis obras estruturantes para o município ainda neste ano. Ao final, os vereadores classificaram as medidas como insuficientes e cobraram investimentos maiores.
A audiência foi motivada pelo Requerimento nº 157/2026, de autoria do vereador Alex Ohana, que presidiu os trabalhos e reuniu na mesa os vereadores Tito do MST, Elias da Construforte, Zé da Lata, Fred Sanção e Érica Ribeiro. Também participaram o gerente de relacionamento com o cliente da Equatorial Pará, João Pedro Gomes Silva; a defensora pública Kelly Soares; o presidente da OAB Subseção Parauapebas, Guilherme Mello; o presidente da Associação Comercial e Industrial de Parauapebas (ACIP), Iran Moura; o presidente da CDL, Euler Ronny; e Marcos Oliveira, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento (Seden).
Parauapebas, um dos principais polos econômicos do Sudeste paraense, convive há anos com reclamações sobre o serviço de distribuição de energia. O crescimento populacional acelerado e a expansão urbana aumentaram a demanda por uma rede elétrica estável, mas a população relata que a infraestrutura não acompanhou esse ritmo. A insatisfação se transformou em pauta recorrente na Casa de Leis, levando os vereadores a convocarem a concessionária para prestar contas diretamente à comunidade.
A audiência pública funciona como instrumento de fiscalização: reúne poder público, órgãos reguladores, entidades da sociedade civil e moradores para registrar formalmente as demandas e cobrar compromissos. O resultado dos debates pode subsidiar ações junto a órgãos de defesa do consumidor e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Imagem 1: audiência pública parauapebas – equatorial energia Pará
Entre as principais queixas apresentadas estiveram os apagões em diversos bairros, as oscilações de tensão que danificam aparelhos eletrônicos, a dificuldade de comunicação com a concessionária e a sensação de insegurança quanto à continuidade do serviço. Durante o encontro, foram lembrados episódios marcantes, como o apagão provocado por um vendaval em outubro de 2023, que derrubou postes e deixou bairros sem luz por mais de 24 horas, e o princípio de incêndio registrado em uma subestação próxima ao bairro Nova Carajás, em janeiro deste ano, que causou novo apagão de grandes proporções.
Os participantes destacaram ainda os prejuízos a comerciantes e pequenos empreendedores e o impacto indireto sobre o abastecimento de água, já que as estações de bombeamento dependem do fornecimento contínuo de energia.
Representando a Equatorial, João Pedro Gomes reconheceu as demandas e afirmou que a empresa promove mudanças internas e treinamentos contínuos. “Nossa empresa fez várias mudanças e treinamentos. Todos os sábados são destinados à capacitação das equipes. Estamos fazendo supervisão da equipe local. Não posso garantir que todos os atendimentos estejam sendo feitos com a rapidez desejada, mas estamos qualificando nossos atendentes. Uma das dificuldades que enfrentamos é a alta rotatividade de pessoal”, declarou.
O gerente apresentou um pacote de seis obras estruturantes previstas para Parauapebas em 2026. Entre as intervenções estão extensões e reforços de rede nos bairros Minérios, Cidade Jardim e Palmares; remanejamento de circuitos no Complexo Tropical e Vale do Sol; instalação de reguladores de tensão e bancos de capacitores; e a construção de quase oito quilômetros de novas redes para atender bairros como Explanada, Complexo VS-10, Guanabara, Bairro da Paz, Caetanópolis, Nova Vida II e Morada Nova. Algumas obras exigirão desligamentos programados, com aviso prévio aos consumidores.
A concessionária também anunciou um curso gratuito de formação de eletricistas em parceria com o Senai, com duração de quatro meses e duas turmas iniciais de 30 alunos, com possibilidade de ampliação.

Para a população, a expectativa é que as obras reduzam a frequência dos apagões e das oscilações que provocam queima de equipamentos — prejuízo recorrente para famílias e comércio. A estabilidade do fornecimento também é decisiva para o abastecimento de água e para a viabilidade de novos investimentos produtivos na cidade, que depende de uma rede capaz de suportar cargas maiores.
Apesar dos anúncios, a avaliação dos vereadores foi crítica. “Os relatos desta audiência são de moradores que sentem na pele os problemas do fornecimento de energia. As melhorias apresentadas pela Equatorial não atingem nem 10% da nossa população. Precisamos de investimentos muito maiores para garantir um serviço de qualidade à cidade”, afirmou Alex Ohana ao encerrar o debate.
A Equatorial informou que organizará novos momentos de prestação de contas para responder às reclamações registradas durante a audiência. As obras anunciadas devem ser executadas ao longo de 2026, parte delas com desligamentos programados e comunicação prévia. A Câmara, por sua vez, deve acompanhar o cumprimento dos compromissos e manter a pressão por ampliação dos investimentos, com possibilidade de novas cobranças junto à concessionária e aos órgãos reguladores.
A audiência pública reforçou a pressão sobre a Equatorial Pará para ampliar os investimentos na infraestrutura elétrica de Parauapebas, município que cresce de forma acelerada e demanda serviços cada vez mais robustos. Enquanto a concessionária aposta em obras estruturantes e na capacitação de mão de obra local, a população e o Legislativo deixaram claro que esperam resultados concretos — e rápidos — para encerrar o ciclo de apagões que afeta o dia a dia da cidade.