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Mineração

Garimpo ilegal avança sob o linhão de Belo Monte em Curionópolis e acende alerta de apagão no país

📅 21 de junho de 2026 ✍️ Redação Sudeste Paraense ⏱ 7 min de leitura
Garimpo ilegal avança sob o linhão de Belo Monte em Curionópolis e acende alerta de apagão no país 📢 Espaço publicitário 728×90Anuncie para +50.000 leitores do Sudeste Paraense

Escavadeiras e tratores cavam diretamente sob torres de uma das maiores linhas de transmissão do Brasil, no sudeste do Pará. A concessionária BMTE denunciou o caso à Polícia Federal e alerta para risco de colapso estrutural e apagão em diversos estados.

Máquinas pesadas a serviço do garimpo ilegal estão escavando o solo bem embaixo das torres do chamado linhão de Belo Monte, em Curionópolis, no sudeste do Pará, e colocaram em alerta o setor elétrico brasileiro. A denúncia, feita à Polícia Federal pela concessionária Belo Monte Transmissora de Energia (BMTE) no fim de maio, aponta que a atividade já alcançou áreas sensíveis da estrutura e pode comprometer a estabilidade de torres da linha de 800 kV que liga a Amazônia ao Sudeste — com potencial de provocar um efeito cascata e apagão em diferentes regiões do país.

Curionópolis ficou conhecida mundialmente nos anos 1980 pela febre do ouro de Serra Pelada. Quatro décadas depois, o município volta ao centro de uma disputa pelo subsolo, agora com um risco diferente: a ameaça a uma infraestrutura estratégica que abastece boa parte do Brasil.

O linhão de Belo Monte é uma das maiores obras de transmissão de energia já construídas no país. Com cerca de 2.100 quilômetros de extensão e tensão de 800 kV, a linha integra a hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA), até a cidade de Estreito, em Minas Gerais. A malha foi erguida pela empresa chinesa State Grid, a um custo aproximado de R$ 5 bilhões, e é peça-chave do Sistema Interligado Nacional (SIN), a rede que distribui eletricidade para praticamente todo o território brasileiro.

Imagem 1: Torres de linha de transmissão de alta tensão cortando área de floresta no Pará afetadas pelo garimpo.

O caso ocorre dentro da Província Mineral de Carajás, uma das áreas de maior interesse mineral do mundo e que, ao mesmo tempo, convive há anos com a pressão do garimpo clandestino sobre rios, florestas e, agora, sobre a rede elétrica.

Segundo a denúncia da BMTE, tratores, escavadeiras, caminhões e outras máquinas de grande porte avançam, neste momento, em barrancos de terra localizados na faixa de servidão da linha de transmissão — a área de proteção que deveria permanecer livre de qualquer interferência. Imagens aéreas citadas no documento mostram o maquinário operando livremente em local proibido.

De acordo com a concessionária, os responsáveis pela exploração mineral haviam afirmado inicialmente que não avançariam sobre a faixa da linha. Poucos dias depois, porém, equipes da empresa flagraram garimpeiros escavando diretamente sob a estrutura. A BMTE afirma que a exploração já alcançou áreas associadas aos sistemas de aterramento, podendo ter afetado o sistema de contrapeso da estrutura, o que cria “potencial risco de comprometimento estrutural” de ao menos uma torre.

“Eventual dano estrutural em empreendimento desta natureza extrapola a esfera patrimonial privada, podendo gerar consequências sistêmicas ao setor elétrico, como o impedimento de funcionamento da linha de transmissão e colapso no Sistema Interligado Nacional”, registrou a empresa na denúncia.

A concessionária pondera que detém o direito exclusivo de uso da área para operar a linha, mas não é proprietária dos terrenos nem possui poder de polícia para retirar invasores ou impedir a entrada das máquinas — o que transfere a responsabilidade da ação para os órgãos de fiscalização e segurança pública.

O principal temor é o de um desligamento de grande porte. Por causa do funcionamento integrado da rede nacional, a paralisação de um corredor desse tamanho tem potencial de gerar efeito cascata e provocar apagão em diversos estados. Não é hipótese distante: falhas nesse mesmo corredor já provocaram desligamentos relevantes no passado, incluindo o apagão de 2018, que atingiu todas as regiões do país.

Além do risco elétrico, o avanço do garimpo na região de Carajás carrega um histórico de danos ambientais. Operações anteriores de Polícia Federal, Ibama e ICMBio na mesma região já apontaram contaminação de rios que abastecem Parauapebas e municípios vizinhos, sobretudo pelo uso irregular de mercúrio — com a bacia do Rio Novo entre as mais afetadas. O problema, portanto, soma uma ameaça à segurança energética nacional a um passivo ambiental de longo prazo para o sudeste paraense.

O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que, assim que tomou ciência do caso, adotou providências para articular os órgãos competentes de fiscalização, controle e segurança pública. Diante do possível risco à infraestrutura crítica em Curionópolis, a pasta afirmou ter tratado o caso com prioridade, reiterando à Agência Nacional de Mineração (ANM) o pedido de medidas contra a atividade mineral irregular e encaminhando solicitação de atuação à Polícia Federal.

A ANM declarou que analisa as informações enviadas pelos órgãos envolvidos e que acompanha o caso em articulação com as demais autoridades, podendo apurar eventual atividade minerária irregular na área. A agência reforçou que a exploração mineral sem título autorizativo constitui infração à legislação e que riscos a infraestruturas estratégicas exigem atuação coordenada.

A Polícia Federal informou que não comenta investigações em andamento. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou não ser o responsável pela fiscalização da rede, indicando que o caso deve ser apurado junto à concessionária e aos órgãos fiscalizadores. Procurados, Aneel, Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a própria BMTE não haviam se manifestado publicamente até a divulgação das primeiras reportagens sobre o caso.

CONCLUSÃO

O episódio recoloca Curionópolis e a Província Mineral de Carajás no centro de um dilema que marca o sudeste do Pará: a convivência entre a riqueza do subsolo e a pressão do garimpo ilegal. Desta vez, porém, o que está em jogo ultrapassa as fronteiras da região — uma torre comprometida no meio da floresta amazônica pode se traduzir em luzes apagadas a milhares de quilômetros de distância. A resposta das autoridades nas próximas semanas dirá se o alerta da concessionária será suficiente para evitar que o risco se transforme em prejuízo concreto.

FONTES UTILIZADAS

Jornal de Brasília (reportagem de André Borges / Folhapress), 17/06/2026 — “Garimpeiros avançam com escavadeiras sob linhão de Belo Monte, com risco de colapso”: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/garimpeiros-avancam-com-escavadeiras-sob-linhao-de-belo-monte-com-risco-de-colapso/ Blog Lúcio Flávio Pinto, 18/06/2026: https://lucioflaviopinto.wordpress.com/2026/06/18/garimpeiros-avancam-com-escavadeiras-sob-linhao-de-belo-monte-com-risco-de-colapso/ ISTOÉ Dinheiro — “Garimpo ilegal na Amazônia ameaça romper maior linhão de energia do País”: https://www.istoedinheiro.com.br/garimpo-ilegal-na-amazonia-ameaca-romper-maior-linhao-de-energia-do-pais/ Pará Terra Boa — “PF combate garimpo ilegal em Curionópolis, onde passa maior linha de transmissão de energia do mundo”: https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/pf-combate-garimpo-ilegal-em-curionopolis-onde-passa-maior-linha-de-transmissao-de-energia-do-mundo/ Portal Pebinha de Açúcar — contexto de operações anteriores da PF/Ibama/ICMBio em Curionópolis, Parauapebas e Canaã dos Carajás: https://pebinhadeacucar.com.br/parauapebas-canaa-dos-carajas-e-curionopolis-sao-alvos-de-operacao-da-policia-federal/ Polícia Federal (referência institucional): https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias

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